Comentários das Liturgias

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Is 8,23b – 9,3 / Sl 26 / 1Cor 1,10-13.17 / Mt 4,12-23

jesusPregandoA liturgia deste domingo convida-nos a contemplar o início da missão de Jesus, a partir da narrativa de São Mateus. Podemos destacar três aspectos no Evangelho deste domingo: os destinatários da missão de Jesus, a sua mensagem, e o modo como Ele realiza sua missão.

São Mateus ensina que Jesus começa sua missão na região da Galileia, precisamente em Cafarnaum. Mais do que uma delimitação geográfica, trata-se de uma afirmação teológica, ou seja, revela que Deus volta-se, preferencialmente, para aqueles que são excluídos e marginalizados. Havia um certo preconceito para com a região da Galileia, ao norte do país, pois historicamente, desde a queda do Reino do Norte, em 722 aC, fora povoada por estrangeiros, rompendo a pureza das tradições judaicas. Nesse sentido, a comunidade de Mateus reconhece que Jesus, iniciando sua missão na Galileia, cumpre as palavras do profeta Isaías que, no séc. VIII aC, anunciava a chegada do Messias como aquele que viria para libertar os oprimidos e sofredores, destacando como destinatários da ação salvífica, justamente os habitantes da região norte do país, que sofria com a invasão assíria. Jesus revela, pois, ser o Salvador que se volta para os que mais padecem, para aqueles que são excluídos pelo mundo, mas que são amados por Deus. Ele é a luz que dissipa todas as trevas do sofrimento e das injustiças.

Iniciando sua missão, Jesus convida à conversão, para acolher o Reino. Importa destacar que Mateus, em seu Evangelho, não usa a expressão Reino de Deus, pois escreve para cristãos oriundos do judaísmo, que não evitavam usar o nome de Deus; assim, utiliza a expressão Reino dos Céus, com o mesmo sentido. A proposta de conversão, apresentada por Jesus, não significa sofrimento ou penitência, mas a alegre acolhida do amor de Deus, que nos transforma e nos faz crescer em nossa humanidade. Não se trata, porém, de uma busca de crescimento qualquer, em vista da riqueza, do prestígio ou do poder, mas a busca do crescimento em vista do Reino. Este torna-se o paradigma da busca de conversão, ou seja, todos os esforços que devemos fazer, são em vista de vivermos sempre mais em comunhão com Deus, realizando a Sua vontade.

E finalmente, vemos que Jesus não realiza sua missão isoladamente, mostrando que a conversão verdadeira nos conduz à vivência da comunhão. Em vista disso, chama os primeiros discípulos, formando a Igreja, a comunidade que é chamada a dar continuidade à sua missão no mundo. O chamado de Jesus parte da realidade humana, dando-lhe novo sentido, por isso aqueles pescadores tornaram-se pescadores de homens, propagadores do Reino com o testemunho de amor e de fraternidade Nesse sentido, importa acolher a advertência que Paulo faz à comunidade de Corinto, ao receber notícias de que havia divisões entre eles, com grupos que se confrontavam entre si, a partir da prática evangelizadora dos missionários que por lá passaram. Lembrando que Cristo não pode estar dividido, Paulo lembra que o sentido de sermos Igreja é manifestarmos a comunhão com Deus por meio da comunhão com os irmãos.

Também nós hoje somos chamados por Jesus a uma sincera conversão que transforma a nossa realidade humana, fazendo-nos servidores do Reino. Somos chamados para viver em comunhão, como Igreja, e sermos portadores de sua luz e de seu amor ao mundo, especialmente às realidades mais sofridas e marginalizadas, às periferias geográficas e existenciais, que sofrem com o abandono e a exclusão, que experimentam as trevas da injustiça.

 

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