Comentários das Liturgias

4º DOMINGO DO TEMPO COMUM

4º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Sf 2,3;3,1-13 / Sl 145 / 1Cor 1,26-31 / Mt 5,1-12a

jesusPregando2Seguir Jesus com fidelidade, deixando-nos guiar pela sabedoria divina, é o caminho para a nossa realização. Mas infelizmente, em cada época e lugar, a sociedade apresenta caminhos que nem sempre correspondem ao projeto divino. Por isso Jesus apresenta-nos um caminho para quem deseja ser seu discípulo e encontrar a verdadeira felicidade: as bem-aventuranças.

Na narração do Evangelho segundo São Mateus, as bem-aventuranças são a abertura do chamado Sermão da Montanha. A estrutura deste Evangelho é comumente compreendida em cinco livrinhos, numa referência aos cinco livros da Torá, a Lei de Deus do Antigo Testamento; e cada livrinho é composto de duas parte, uma narrando as ações de Jesus e a outra apresentando seus ensinamentos. O Sermão da Montanha é a parte doutrinal do primeiro livrinho, que apresenta a ação de Jesus, concretizando o Reino.

Lembremos que o Evangelho segundo Mateus é escrito para uma comunidade, em sua maioria, formada de cristãos vindos do judaísmo, que questionavam a relação da fé cristã com a primeira aliança, realizada com o povo de Israel. Por isso São Mateus apresenta Jesus como o novo Moisés, que vem formar o novo Povo de Deus, a Igreja, com uma nova Lei, fundamentado em uma nova justiça, a justiça do Reino.

Numa referência a Moisés, que subiu à montanha para receber a lei de Deus, Jesus sobe a montanha, mas agora o povo sobe junto, revelando uma proximidade com Deus. E do mesmo modo que os Dez Mandamentos são o resumo da Lei, Jesus apresenta aos discípulos as bem-aventuranças como a síntese do que é ser cristão. E a primeira é uma chave de compreensão das demais: bem-aventurados os pobres em espírito significa ter um coração humilde e necessitado de Deus, que não se fecha ao amor divino. É a busca contínua de superação da soberba humana, que leva a confiar somente em si e rejeitar a graça divina. Isso já ensinava o profeta Sofonias, no séc. VII a.C., mostrando a necessidade de buscar com humildade o Senhor e nEle colocar a confiança, criticando as autoridades que estavam confiando em seu próprio poder e nas alianças com povos vizinhos; e mostra que somente os humildes da terra, por confiarem no Senhor, conservarão a aliança.

Dessa humildade e necessidade de Deus, brotam as demais bem-aventuranças: um coração que é misericordioso, superando a cultura da vingança, um coração puro, livre de toda malícia e maldade, um coração manso, que não reproduz a espiral de violência. Igualmente um coração confiante na ação divina, que oferece consolação nos momentos de tribulações, que traz a proteção diante das perseguições por causa da justiça. E também um coração capaz de comprometer-se com o Senhor, na luta pela justiça e na promoção da paz, e que permanece fiel, mesmo enfrentando perseguições na vivência da fé.

Este caminho de felicidade é a revelação da sabedoria divina. Entretanto, é um caminho diferente do que nos propõe a sociedade atual. São Paulo, escrevendo para a comunidade de Corinto, formada de pessoas humildes, mostra que o plano divino diverge dos projetos humanos, pois Deus escolhe o que o mundo considera estúpido para revelar Sua sabedoria e escolhe o que o mundo considera fraco para confundir aquele que se considera forte. Precisamos escolher o caminho que Jesus nos propõe, pois enquanto a sabedoria e a força humana geram sofrimento e morte, a sabedoria divina, dos humildes e fracos, é capaz de gerar a vida para todos e a verdadeira felicidade.

 

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