Comentários das Liturgias

6º DOMINGO DA PÁSCOA

6º DOMINGO DA PÁSCOA
At 8,5-8.14-17 / Sl 65 / 1Pd 3,15-18 / Jo 14,15-21

6oDomingoPascoa anoB amaivosVivenciando a espiritualidade pascal, somos convidados a testemunhar Jesus Ressuscitado, guardando seus mandamentos, especialmente na prática do amor, em atitudes que promovem a vida e a paz. O amor cristão não pode ser entendido como um mero sentimento interior, mas como o propulsor de um comportamento benevolente, em vista da felicidade do irmão. Jesus nos ensina que há um vínculo indissociável entre o amor e o cuidado e promoção da vida, ao afirmar que aquele que O ama guarda Seus mandamentos. Não é possível amar somente com palavras, sem gestos e atitudes objetivas. Jesus nos amou de forma concreta, doando Sua vida para nos salvar, por isso a vivência do mandamento do amor é o vínculo perfeito de comunhão com Ele.


Em nosso mundo atual, o amor foi descaracterizado, assumindo significados que o afastam do sentido proposto pelo Senhor. Jesus nos amou gratuitamente, sem esperar nada em troca. Em nossa sociedade capitalista, os relacionamentos humanos foram afetados pelas relações comerciais, dificultando a vivência da gratuidade. O valor de uma relação é dada pelo ganho afetivo ou material que dela se obtém. Só se faz o bem se houver recompensa e ninguém se dispõe a sofrer para fazer o bem e evitar o mal, como ensina São Pedro.


Outra característica do amor é o altruísmo, ou seja, a exemplo de Jesus, que renunciou a si mesmo, oferecendo-se pela nossa salvação, devemos voltar nossa atenção para também cuidar do irmão e não somente pensar em nós mesmos. Entretanto, nossa cultura individualista nos leva a condicionar as atitudes de bondade para com o outro à realização de nossos interesses. Dessa forma, se o relacionamento com o outro é vantajoso, então é conservado; na medida em que não satisfaz os interesses individuais, perde o valor e deixa de ser cultivado.


São Pedro nos alerta sobre a necessidade de darmos as razões de nossa esperança perante o mundo. Para tal, precisamos resgatar o verdadeiro sentido do amor, especialmente a gratuidade e o altruísmo. Assim manifestaremos nossa comunhão com o Senhor Ressuscitado, revelando que somos verdadeiramente seus discípulos.


Quando meditamos sobre o mandamento do amor, reconhecemos no amor matrimonial uma forma sublime de sua vivência. Por isso Jesus concedeu a graça de sacramento ao amor conjugal, sendo a imagem da união mística entre o próprio Cristo e a Igreja. Da mesma forma como Cristo nos amou e se entregou pela nossa salvação, assim também deve ser o relacionamento matrimonial. Os cônjuges são chamados a viver o amor na entrega de si, pela felicidade e pela santificação do outro.


Entretanto, a mentalidade de troca e a cultura do individualismo dificultam a vivência do sacramento do matrimônio. Quando a gratuidade cede lugar ao mercantilismo afetivo no relacionamento entre os cônjuges não há motivação para realizar gestos de bondade; tudo se transforma em comércio e tem que ter uma contrapartida que seja compensatória. E ainda mais perniciosa é a presença do individualismo na vida conjugal, pois atinge a raiz do amor e impede a comunhão de amor. Onde prevalece o individualismo, já não existe um só coração e uma só alma, mas dois corações mesquinhos isolados em seu egoísmo.


Como a comunidade da Samaria, que acolheu a mensagem do Evangelho e se alegrou com a presença do Espírito Santo, também nós hoje, precisamos abrir nossos corações para Sua ação santificadora, que nos impulsiona na vivência do mandamento do amor, para assim darmos as razões da nossa esperança em Cristo Ressuscitado.

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