Comentários das Liturgias

10º DOMINGO DO TEMPO COMUM

10º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Os 6,3-6 / Sl 49 / Rm 4,18-25 / Mt 9,9-13

Mateus cobrador impostosO rosto misericordioso de Deus, revelado desde o Antigo Testamento, se torna pleno nas palavras e nos gestos de Jesus, contrastando com a cultura da vingança e da condenação que persiste em nossa sociedade. Com a narrativa da própria conversão, Mateus convida-nos a experimentar a misericórdia divina, que nos chama para uma vida nova. Contemplando as diferentes personagens que aparecem na narrativa, somos convidados a avaliar a nossa fé e as nossas atitudes.


Inicialmente contemplamos a atitude de Jesus, que vai ao encontro de Mateus na coletoria de impostos, ou seja, na realidade existencial na qual ele estava inserido. Deus não nos abandona, mesmo quando estamos envolvidos pelo pecado. Ele vem ao nosso encontro e nos chama para uma vida nova. Em seguida somos convidados a reconhecer a paciência de Deus, que insiste no convite para renovarmos a nossa vida. A narrativa de Mateus, para indicar a mudança radical que aconteceu, dá a ideia de uma conversão imediata diante do chamado de Jesus. Mas a conversão é sempre um processo, muitas vezes doloroso e difícil, pois exige renúncias e sacrifícios. Outra atitude importante que Jesus nos ensina é a acolhida que Ele oferece aos amigos de Mateus, cobradores de impostos e pecadores, que participam da refeição da casa de Mateus. Com isso Jesus nos mostra que Deus não ama somente os que são justos, mas ama a todos, inclusive os pecadores, pois sabe que somente Seu amor pode propiciar uma caminhada de conversão.


Contemplando o gesto de Mateus, de levantar-se da coletoria de impostos e seguir Jesus, enxergamos nele a nossa realidade humana, de contínuo levantar-se de situações de pecado para sermos mais fiéis a Jesus. Mas isso não é fácil, como não foi fácil pra Mateus. A condição de cobrador de impostos garantia a Mateus uma vida de abundância de bens. Foi preciso renunciar à uma vida de vantagens materiais para acolher o convite de Jesus. O que Mateus fazia não era ilegal, mas era imoral aos olhos de Deus, pois ele lucrava com a opressão que pesava sobre o povo. Também hoje encontramos muitas situações que não são ilegais e até são estimuladas em nossa sociedade capitalista, mas são imorais aos olhos de Deus, pois não geram a fraternidade e até prejudicam o irmão. No gesto de Mateus, de levantar-se e seguir Jesus, recordamos a atitude de Abraão, apresentando por São Paulo como modelo de fé e de esperança, pois foi capaz de largar uma vida estável para atender o chamado divino, de ser pai de um grande povo, mesmo sendo idoso e sem filhos.


Olhamos também para os amigos de Mateus, que ainda não tinham aceitado caminhar com Jesus, mas necessitavam desse amor. Neles enxergamos tantas pessoas que ainda hoje estão longe do caminho do Senhor e precisam da misericórdia e do amor divino para uma sincera conversão. Cabe a cada um de nós, que já estamos em comunhão com Jesus, ajudar esses irmãos a buscar uma vida nova. Mas para isso devemos evitar o comportamento dos fariseus, que ficam escandalizados com o gesto de Jesus, de conviver com os pecadores e de fazer refeição com eles. Os fariseus se consideravam perfeitos, já justificados por seus esforços em cumprir rigorosamente a lei de Deus, e por isso se sentiam melhores e superiores aos outros. Essa atitude de arrogância os impedia de participar do banquete da misericórdia com Jesus na casa de Mateus, impedia-os de experimentar o amor divino.

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