Comentários das Liturgias

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Ex 19,2-6a / Sl 99 / Rm 5,5-11 / Mt 9,36 – 10,8

apostolosDiante das muitas situações sociais que atualmente impedem a vida em plenitude, a Palavra deste domingo nos apresenta o convite divino para sermos seus colaboradores, manifestando ao mundo a grandiosidade de Seu amor, em gestos concretos de vida e salvação. No Evangelho contemplamos a sensibilidade de Jesus diante do sofrimento do povo e o envio dos apóstolos para continuarem Sua missão.


Os últimos versículos do capítulo 09, que encerram a parte narrativa do segundo livrinho do Evangelho de Mateus, sobre a dinâmica do Reino, mostram que Jesus tem compaixão da multidão, cansada e abatida, porque estão como ovelhas sem pastor, ou seja, abandonadas pelas autoridades da época, que não lhe garantem vida plena. E, diante das necessidades do povo, pede que rezemos ao Pai, suplicando que envie mais operários. O capítulo 10, a parte discursiva do segundo livrinho, traz os ensinamentos de Jesus sobre a missão que Ele confia ao grupo dos doze apóstolos.


Essa iniciativa de Jesus, de formar o grupo dos doze e confiar a eles a continuidade da sua missão, lembra a atitude divina de propor ao povo de Israel a aliança no Sinai. O livro do Êxodo narra o momento em que, na caminhada pelo deserto rumo à terra prometida, o Senhor convida o povo que libertara da escravidão no Egito a se tornar o Seu povo. Faz dele um reino de sacerdotes e uma nação santa, ou seja, convoca-o a ser, no meio do mundo, um sinal de seu amor divino que liberta e salva.


A realidade da comunidade de Mateus, formada em sua maioria por cristãos oriundos do judaísmo, explica a ordem de Jesus, de irem primordialmente às ovelhas perdidas da casa de Israel. A missão que os apóstolos receberam foi de anunciar a proximidade do Reino, que se realiza em quatro sinais: curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos e expulsar os demônios. Essa missão que Jesus confia aos apóstolos, o novo povo de Deus, é a nossa missão hoje. Como poderemos curar enfermos? Não se trata de sermos curandeiros, mas de nos empenharmos para que o cuidado da saúde seja acessível, num sistema público de saúde que atenda a todos com dignidade; e também de sermos a presença de Deus junto aos enfermos, com palavras de consolo e com a nossa oração. A tarefa de ressuscitar os mortos significa defender e restaurar a vida, combatendo todas as situações que a ameaçam; esse empenho envolve o cuidado com a casa comum, a luta contra a injustiça social, e igualmente a ajuda às pessoas abatidas espiritualmente. Lembrando que os leprosos na época de Jesus, além da enfermidade, sofriam com a discriminação e exclusão social, a ordem de Jesus indica o nosso empenho em combater toda forma de racismo, de preconceito, que afronta a dignidade humana. E expulsar demônios significa libertar o coração e a realidade social de tudo o que é contrário ao amor de Deus, desde pensamentos, projetos, até estruturas culturais, políticas e econômicas que são obstáculos para que o projeto divino se realize.


Como nos diz São Paulo na Carta aos Romanos, Deus aceitou morrer por nós quando ainda éramos pecadores, ou seja, Ele não deixa de nos amar, mesmo quando estamos no pecado, pois sabe que é somente esse amor que pode nos salvar. Nossa missão é, pois, de anunciar e tornar presente em nossa realidade hodierna o Reino dos Céus, manifestado nesse amor divino que a todos quer salvar.

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